Lema de Vida:

Aprender até morrer, morrer sem nada saber!!

quarta-feira, junho 28, 2006

Crónica d' A Bola

«Jogo pelos professores»

Os professores andam em pé de guerra. Como os professores são normalmente distantes uns dos outros, os seus pés de guerra andam por aí semeados como pés de salsa, espalhados pelo País. De norte a sul.

Os professores estão descontentes. Com a vida que lhes corre mal, porque ninguém os valoriza; com os colegas, que só se interessam por resolver a sua vidinha; com os alunos, que os desconsideram e maltratam; e, acima de tudo, com o Governo da nação, que os desvaloriza, os desautoriza e os desmoraliza.

Nunca fui um estudante fácil e sabia, que um professor desautorizado era um homem (ou uma mulher) morto na escola. Não quero dizer fisicamente mas profissionalmente. Como sempre fui bom observador, conhecia de ginjeira os professores fortes e os professores fracos. Os fortes resolviam, por si próprios, a questão. Alguns pela autoridade natural do seu saber e da sua atitude, outros de forma menos académica. Os fracos eram defendidos pelos reitores. Ir à sala de um reitor era, já por si, um terrível castigo. Mas bem me lembro que professores fracos e fortes, bons e nem por isso, se protegiam, se defendiam e se reforçavam na sua autoridade comum.

Já nesse tempo se percebia que tinha de ser assim, porque, se não fosse, os pais comiam-nos vivos e davam-nos, já mastigados, aos filhos relapsos. E isso a escola não consentia.
Os pais, dito assim de forma perigosamente genérica, sempre foram entidades pouco fiáveis em matéria de juízo sobre os seus filhos e, por isso, sobre quem deles cuida, ensina e faz crescer.

Os pais sempre foram o pavor dos professores de natação, dos técnicos do futebol jovem, dos animadores das corridas de rua. Os pais, em casa, acham os filhos umas pestes; mas na escola, no campo desportivo, no patamar da casa do vizinho, acham os filhos virtuosos e sábios. Os pais são, individualmente, insuportáveis e, colectivamente, uma maldição.

Claro que há pais... e pais. E vocês sabem que não me refiro aos pais a sério, que são capazes de manter a distância e o bom senso. Falo dos outros, dos pais e das mães que acham sempre que os seus filhos deviam ser os capitães da equipa e deviam jogar sempre no lugar dos outros filhos. O trágico disto tudo é que são precisamente esses pais os que, na escola, se acham verdadeiramente capazes de fazer a avaliação, o julgamento sumário dos professores dos seus filhos, achando que eles só servem para fazer atrasar os seus Einsteinzinhos.

Por isso eu aqui me declaro a favor dos professores. Quero jogar na equipa deles contra a equipa dos pais e ganhar o desafio da vida real e do futuro deste país contra o desafio virtual dos pedagogos de alcatifa.»

vserpa@abola.pt
A Bola, 3 de Junho de 2006

Vitor Serpa, director do Jornal A Bola, alia-se aos professores.
(recebido por mail)

10 comentários:

Avozinha disse...

Só por ter escrito isso merece que eu faça uma aasinatura da Bola, embora eu deteste futebol...

Penetrador disse...

Penso que não são só os professores que estão descontentes, é um caso geral na sociedade.Com todas as razões que tenham e o direito a greve que vos assiste quem perde com isso são sempre os assuntos.
Já se imaginaram a trabalhar a recibos verdes, em que não há horario de saida e recebe-se o mesmo, não há hipotese de ficar doente porque não há direito a baixa, não há ferias porque também não há direito a elas e por fim, quando se fica no desemprego, não se recebe qualquer compensação.
Afinal...há casos bem piores que os vossos.
Beijocas

Anónimo disse...

caro penetrador, nao se lamente, pelo que entendo do que escreveu ate tem uma bela vida, porque nao duvide...ha casos muito piores que o seu..beijocas e abraços..

TsiWari disse...

e desde quando a desgraça dos outros é justificativo de se aceitar desígníos menos maus?

há é que lutar por todos.

e parabéns ao cronista do jornal mais lido da república.

Professorinha disse...

No outro dia estava uma encarregada de educação no Cnselho Executivo da minha escola com a seguinte conversa: Quanto é o Tiago é o Tiago, quando são os outros é a turma toda!!! Eu não admito isto! Não pode ser assim."

Achava ela que os professores embirravam com o pobre do filho. A mim só me veio à cabeça episódios de quando eu tinha 4 ou 5 anos e mimada dizia à minha mãe que ela gostava mais do meu irmão do que de mim porque lhe fazia as vontades todas e comigo refilava sempre...

Esta mãe deve ter de idade mental a mesma idade.

Com este tipo de pais é que se deve ter cuidado...

3za disse...

Gostei tanto de ler...
Vim também dar beijinhos e agradecer as visitas...Andamos todos numa enorme correria... verdade?

Marga disse...

Boa! Também tenho este texto no meu blog. Gosto destes que não são escritos por professores... refrescam a alma!
bjokas

Artur disse...

Ultimamente o pessoal das bolas anda a demonstrar e muito bem que não joga só com os pés...

"CRESCER... SEM LIMITES..." disse...

Haja alguém que nos defenda...
Fernanda

Anónimo disse...

Cool blog, interesting information... Keep it UP film editing schools